
Panini Comics/Marvel Comics
R$ 7,95 - Mensal
Formato Americano - 100 páginas
Janeiro de 2010
Zumbis Marvel 3: Marvel Zombies 3 #03 - Nota: 7,5
Argumento: Fred Van Lente
Arte: Kev Walker
Cores: Jean François-Beaulieu
Após conseguir a amostra de sangue nativa do zumbiverso, Jocasta parte rumo ao local combinado para a extração. Enquanto isso, o Homem-Máquina encara todos os zumbis!
Fred Van Lente prova mais uma vez que sabe trabalhar com os desmortos da Marvel. Neste capítulo ele acelera a trama com muita ação e ainda promove algumas amarras. Mas não fica só nisso, pois de forma competente ele escancara para os leitores a amplitude de suas idéias, expandindo e muito o alcance desta série. A inserção dos zumbis na cronologia regular da Marvel (Terra-616) foi uma decisão mais que acertada, todavia, isto não é tão fácil quanto o roteirista faz parecer.
Percebam a construção deste capítulo. Primeiramente o roteirista solidifica cada vez mais a ARMADURA quando a coloca definitivamente como alicerce da série e não só como um simples recurso para a infiltração dos zumbis. Com isso, a Agência criada por ele, ganha ares muito interessantes no instante que podemos vislumbrar a enormidade de histórias que poderão advir disso. E não fica por aí, pois de quebra, Van Lente traz de volta à baila o Nexo das Realidades, resgatando um grande manancial para ótimas histórias.
O zumbiverso também não é deixado para trás e cada vez mais se percebe um trabalho de organização e construção sendo desenvolvido. As eviscerações não acabaram mesmo porque elas se constituem em uma parte fundamental da série, mas tudo agora faz parte de um contexto maior e não é simplesmente jogado aleatoriamente na cara do leitor. Destaco também que a narrativa de Van Lente tem alguma semelhança com os antigos filmes de terror B. Em alguns momentos é quase impossível não se lembrar de Bruce Campbell nos clássicos filmes da trilogia que começou com The Evil Dead dirigidos pelo querido aracno-diretor Sam Raimi. Como curiosidade, a capa deste mês é uma versão de um pôster do filme.
Como já dito em reviews anteriores, Kev Walker continua conduzindo com competência a série. Nesta edição ele acompanhou perfeitamente o ritmo do roteiro na ação e também nas pausas destinadas a estruturar o capítulo.
Melhor Frase: ?Eu admito que a serra é meio clichê, mas eu sempre tive um apego pelos clássicos.?
Homem-Máquina curtindo uma de Ash Williams enquanto detonava vários zumbis.
O Matador de Idiotas ? Anjos Brancos: Foolkiller ? White Angels #02 ? Nota: 8,0
Argumento: Gregg Hurwitz
Arte: Paul Azaceta
Cores: Nick Filardi
O Matador de Idiotas vai com tudo atrás dos Anjos Brancos e um novo personagem entra neste jogo!
Nesta edição Gregg Hurwitz centra a narrativa na violência dos Anjos Brancos contra os imigrantes ilegais dos Estados Unidos. De forma crua e sem papas na língua ele joga na cara do leitor o preconceito em seu estado mais radical e direto. Em quase todo o roteiro, o que o vemos são seqüências demonstrando aonde a torpeza humana pode chegar, e o mais assustador é que, embora seja uma obra ficcional, sabemos bem que o ser humano realmente é capaz de tais atos.
Mas o roteirista não faz isto tudo a esmo e, demonstrando mais uma vez extrema habilidade narrativa, permeia no roteiro as bases que sustentam (?) o preconceito dos Anjos Brancos. Isso transmite aos leitores a realidade necessária que serve de alicerce para que, de fato, as cenas sejam tão fortes. Por exemplo, quando ele usa o personagem Jack Clandestino e sua rádio pirata, de uma só tacada, abrange alguns pontos principais do fomento ao preconceito que são a educação domesticadora e a intolerância. Ora, ali Jack Clandestino joga suas informações preconceituosas como verdades prontas não admitindo espaço para reflexões ou defesa, abrindo, então, caminho para a violência.
Enquanto isso, o personagem Matador de Idiotas é responsável pelo desenrolar da trama e manutenção do suspense na série. De forma tranqüila Hurwitz conduz este insano personagem que em alguns momentos tem a função de contrapor não só fisicamente, mas ideologicamente os Anjos Brancos, ficando interessante este jogo proposto pelo roteirista.
Paul Azaceta conduz muito bem a narrativa claustrofóbica num grande jogo de sombras. As cores de Nick Filardi completam bem esta ambientação opressiva e suja. Mas em vários momentos continuo com a impressão que o desenhista pode caprichar mais. Além disso, nas primeiras páginas, o Matador de Idiotas parte a cabeça e o antebraço direito de um Anjo Branco, e algumas páginas à frente, este mesmo personagem é encontrado pela polícia sem nenhuma dessas mutilações. O mesmo se verifica depois na briga entre o Matador de Idiotas e a gangue, onde não faltaram pedaços de membros espalhado, sendo que depois vemos tudo no lugar devido a um material branco usado pelo anti-herói nos integrantes dos Anjos Brancos. Poxa, poderia ter narrado estas cenas com mais criatividade.
Terror Ltda: Terror Inc. #05 - Nota: 7,5
Argumento: David Lapham
Arte: Patric Zircher
Cores: June Chung
Talita assume o controle do braço, e constante da maldição, deixando o Sr. Terror às portas da morte, mas a Srª Primo dá sua última cartada.
Durante as quatro edições anteriores David Lapham espalhou suas subtramas mesclando magia e terrorismo numa teia onde conspirações, vida e morte se entrecruzavam a todo instante. Neste capítulo final, o roteirista amarra algumas pontas soltas em seqüências explosivas de muita ação e violência. Talita consegue assumir o controle do braço e parte com tudo para o oblívio extremo, que, no final, não tem nada a ver com a redenção de seus súditos e sim com seu desejo pessoal do vazio extremo. Interessante notar aqui que o roteirista usa de uma narrativa psicodélica com Talita, embaralhando em sua perturbada alma o passado e o presente, refletidos na luta entre o êxtase do vazio extremo e o deleite das sensações mundanas.
Sem o braço, Terror perde o controle dos corpos que absorve, sendo então facilmente subjugado pela alma de seu verdadeiro dono. A sempre gentil Srª Primo, ciente disso, tenta expurgar a influência de Roger Harper mutilando completamente nosso anti-herói putrefato. O que ela consegue é apenas um alívio da situação, pois aparentemente agora só resta ao Sr. Terror esperar o fim. Diante de tal situação, ela faz um sacrifício extremo. Ponto para o roteirista que dá um xeque na premissa da constante da maldição e assim confere ao nosso anti-herói a consciência plena de sua alma. Num exercício nérdico por parte deste revisor que vos escreve, e analisando toda a trama, não seria surpresa se David Lapham tivesse ocultado neste ?sacrifício? da Srª Primo alguma alteração da maldição do Sr. Terror, algo que talvez algum dia, ele pudesse retornar para nos contar.
Depois disso, o roteirista converge tudo na batalha final entre Sr. Terror e Talita, onde junta a disputa mística e a luta pelo desmantelamento da organização terrorista Domínios da Morte, fazendo emergir novamente este outro plot da série. Enfim, embora o final seja um tanto previsível, David Lapham se saiu muito bem com uma narrativa de difícil condução devido à dimensão dos plots e a curta duração da série.
Patric Zircher é um artista espetacular! Repito, E-S-P-E-T-A-C-U-L-A-R! Ele conduziu com primor o texto de Lapham num domínio total de narrativa, construiu cenários de maneira ímpar, desenhou ora a humanidade, ora a violência visceral, com extremo esmero e detalhismo, e desde já, é um dos meus artistas favoritos.
Melhor Diálogo:
?? Ela era minha rocha.
? Querido, preste atenção. Você é o único que pode achar essa mulher. Se ela não for detida, milhões vão morrer. Eu serei sua rocha.
? Srª Primo? Oh, Deus não!?
Este diálogo entre a cativante Srª Primo e o Sr. Terror, desencadeia uma nova perspectiva para nosso anti-herói, depois de mais de mil e quinhentos anos.
Justiceiro: The Punisher #55 ? Nota: 9,5
Argumento: Garth Ennis
Arte: Goran Parlov
Cores: Lee Looughridge
Valley Forge, Valley Forge (Parte 01) ? Uma armadilha está sendo arquitetada para acabar definitivamente com o Justiceiro, e o inimigo desta vez usa uniforme e estrelas!
Ok! Primeiramente vou fazer algumas considerações sobre o início deste arco que, infelizmente, é o último de Garth Ennis para o Justiceiro MAX. Fica claro que o irlandês calculou muito bem sua passagem pelo personagem e deixou para sua despedida do título a amarra de algumas pontas soltas durante seu run. As ações desencadeadas neste capítulo são oriundas, essencialmente, do arco Mãe Rússia (The Punisher #13 a #18/Demolidor #26 a #31). Nele, o Justiceiro e Nick Fury participam da operação Barbarossa, que tinha como objetivo enviar Castle (e o Capitão Vanheim) à Rússia atrás de um supervírus. Mas o fato é que nada disso era por amor a nação, e sim, fazia parte de um plano de alguns oficiais de alto escalão do exército americano que estavam bem longe de serem patriotas.
Para não alongar demais, no meio dessa pendenga, são cometidos ataques terroristas na Rússia (supostamente providos pelos árabes), um avião explode com muitos inocentes e soldados russos morrem ? tudo orquestrados pelos generais americanos. Fury e Frank descobrem a tramóia e uma fita com a confissão do mercenário Rawlins é feita. Nesta história também é mostrado o general Nikolai Alexandrovich Zakharov, resgatado por Ennis posteriormente no arco Homem de Pedra (The Punisher #37 a #42/Marvel MAX #59 a #64). Neste arco, o irlandês já começa a dar sinais de querer amarrar de vez esta história, pois ela se sustenta e muito no arco Mãe Rússia; além disso, Zakharov e Rawlins morrem, todavia os generais americanos e a fita, ainda deixam a história sem ponto final. Como subentendido no arco, A Longa e Fria Escuridão (The Punisher #50 a #54/Marvel MAX #72 a #75), o nosso querido Cuda foi enviado por alguém para dar cabo do Justiceiro, e agora, neste arco final, Garth Ennis nos conta quem e por quê.
O fato é que este primeiro capítulo é uma primeira mexida no tabuleiro de xadrez e, estruturalmente, serve para preparar o terreno para o desenvolvimento da trama que trará o desfecho idealizado pelo irlandês. O Justiceiro neste primeiro momento é um simples coadjuvante que se junta com Fury, os generais americanos, Cel. Rowe; armando uma base bem sólida para um dos melhores inícios de arco da série ? por todo resgate de plots dentro da cronologia do Justiceiro, como citado acima, bem como, pelo desencadear de ações que página após página vai descortinando para o leitor um plano (e planejamento) ímpar. Os diálogos são bem construídos e não só servem pra sustentar este início, mas também, para avançar a teia conspiratória, especialmente quando joga o Cel. Rowe e as Forças Especiais no estratagema.
Neste instante Garth Ennis surpreende mais uma vez. Pensando bem; ele faz seu habitual e continua a ser um escritor muito acima da média. No meio de tudo que eu disse anteriormente, o irlandês quebra sua linha narrativa inserindo entre as páginas da história trechos de um livro que fala sobre o nascimento do Justiceiro. No Vietnã, em 1971, a Base de Artilharia Valley Forge foi completamente devastada por napalm e bombas de alto poder despejadas pelos caças F4 americanos, restando apenas um único homem vivo, o Capitão Frank Castle ? Fuzileiro Naval (Forças Especiais). O livro é escrito por Michael Goodwin, que é irmão mais novo do soldado Stephen Goodwin ? morto em serviço em Valley Forge. Ele foi um personagem muito importante da minissérie Nascido Para Matar (Born #1 a #4/Marvel MAX #10 a #13), que, em resumo, mostra Frank Castle cruzando a definitiva linha que o separava da loucura, liberando seu instinto assassino de forma irreversível.
Mas vejam bem, essa quebra de linha narrativa não se constitui apenas num recurso de Ennis, ela é um meio de se voltar ao seminal e buscar os elementos que nortearão seu derradeiro conto. Então fanboy, por tudo que foi apresentado neste primeiro capítulo, a expectativa é de um final de arrepiar, que sem dúvida alguma, marcará o fim de uma era para este personagem.
Novamente temos Goran Parlov à frente deste arco e mais uma vez declaro minha admiração por este artista. Com a maioria dos quadros horizontais, Parlov constrói boas seqüências, reafirmando seu grande senso narrativo.
Melhor Diálogo:
?? Parece que está perdendo a sua fé.
? Considerando o que tem nesse envelope, talvez eu esteja. Talvez esteja ficando igual a você. Eles não podem mais balançar uma bandeira e mentir na minha cara, isso eu te digo. Talvez eu devesse ter servido três vezes seguidas pelo país. Podia ter acordado bem mais cedo. Mas eu estava... salvando esta porra de mundo ou algo assim...?
Justiceiro batendo um papinho com Nick Fury ? um tanto amargurado, devo dizer.